“Barcelona nos ensinou futebol”!

Bom, o título do post é frase do craque santista Neymar, após a final do mundial de clubes da FIFA . Espero que o leitor tenha tempo e paciência para ler o post de hoje; quero introduzi-lo escrevendo sobre o clássico do penúltimo Sábado, dia 10/12, Real Madrid x Barcelona.

Esse clássico é o maior dos maiores, porque envolve dois times espetaculares, os dois maiores do mundo na atualidade, mas é um confronto que vai além dos limites das quatro linhas, além do futebol, é um clássico de futebol que envolve a política, o confronto do time da capital, o todo poderoso, os merengues do Real Madrid, contra os separatistas catalães. É um confronto de filososfias, tanto relacionadas à política quanto ao futebol, entre os Madrilenhos, que têm o costume de gastar muito dinheiro para comprar grandes jogadores, caros, já formados, montando grandes equipes, com grandes talentos individuais, e os Culés, que investem em suas categorias de base, impondo um jogo coletivo a jogadores com grande talento indivdual, fazendo com que geração após geração, a maior parte do time principal venha jogando junto desde as bases.

Real Madrid x Barcelona (10/12/2011):

O Real começou bem melhor o jogo, marcando forte a saída de bola do Barcelona, e aos 20 segundos do começo da partida, após falha infantil do goleiro Valdés na saída de bola, o Real abre o placar com Benzema; o goleiro do Barça agiu como um jogador inexperiente (o que ele não é) ao bater o tiro de meta rasteiro nos pés de jogador do Real.

Como era de se esperar, o Real não conseguiu manter o pique, a pressão na saída de bola do Barça, dominou os primeiros 20 minutos, mas o time catalão logo tomou conta do jogo; foi só o tempo de o campo secar e a bola parar de rolar tanto, de modo que atrapalhava as enfiadas de bola do Barcelona.

O jogo ficou empatado após bela jogada de Messi, que driblou 3 jogadores e mandou na frente para Alexis Sánchez, que bateu certo e marcou para o time azul-grená. Os jogadores do Real, como sempre, muito nervosos diante do Barcelona, que exceto por Sánchez, estava muito tranquilo. O jogador chileno do Barcelona estava com muita malandragem, tentando cavar faltas, chegou duro em Di María e recebeu cartão amarelo, e apesar do gol estava mal no jogo; o único jogador dos blaugranas a apresentar nervosismo.

É possível que os jogadores do Real estejam tão nervosos, afobados e perdidos por causa da falta da referência do Cristiano Ronaldo, que não estava jogando. Não que ele não estivesse em campo, mas não estava jogando de verdade, ele foi muito mal no jogo, talvez o pior jogador do Real Madrid.

No segundo tempo, num lance de azar do Real, Xavi cutou, a bola desvio em Marcelo, “matando” o goleiro Iker Casillas; 2 a 1 Barça. Com um jogo muito pegado, foi um milagre o Real Madrid terminar a partida com 11 jogadores.

Kaká entrou bem no jogo, no lugar de Ozil, criou duas chances boas de gol, que foram desperdiçadas pelo camisa 7, Cristiano Ronaldo, que não fez absolutamente nada durante toda a partida.

Após cruzamento de Dani Alves, Fábregas marca de cabeça e liquida a partida que já estava ganha. O Barcelona fez o que quis com a bola, não fez mais porque não quis, administrou o jogo todo (exceto pelos primeiros 20 minutos). O tomou a liderança do espanhol (lembrando que o Real tem um jogo a menos) pelo saldo de gols, deu uma aula de futebol, os craques do Real assistiram de pertinho os “imortais” do Braça ensinando como é que se joga bola.

Após o fim de jogo eu tive mais uma certeza, que o Barcelona da geração do Guardiola como técnico é mais do que um time fantástico, espetacular… É um time especial! Um time que entra num patamar diferente, o patamar de times como o Flamengo de 81, como o Ajax dos anos 70, como o Milan de Van Basten… Com certeza quando eu for mais velho eu vou falar com orgulho que eu vi jogar e torci pelo Barcelona do Messi, assim comparando, por exemplo, ao Flamengo de Zico e ao carrocel holandês de 74, de Johan Cruijff.

O Barcelona e o Real Madrid são hoje os dois melhores times do mundo. E para notar a diferença entre o primeiro e o segundo melhor time do mundo é só assistir o jogo que aconteceu no último dia 10 no Santiago Bernabéu, ou então os 5 a 0 do ano passado.

Mundial de Clubes da FIFA:

Eu não tenho muito o que falar sobre o jogo entre Santos e Barcelona, os blaugranas fizeram 4 a 0 no peixe ( 2 de Messi, 1 de Xavi e 1 de Fábregas) como se estivessem fazendo jogo treino; sim, o Barcelona jogou em ritmo de treino. Há quem diga que numa partida de futebol tudo começa 50% para cada lado, mas eu digo que contra o Barcelona começa 30% para quem o está enfrentando. O Santos não jogou seu melhor futebol e não fez tudo que podia, poderia ter dado menos espaço ao time catalão, poderia ter chegado mais firme na marcação, mas ao invés de marcar o que os jogadores do Santos faziam é admirar o time espanhol, ficar pedindo desculpas e fazendo carinho depois de uma faltinha, um beliscãozinho? Se fosse no Brasileirão eles não fariam isso! Mais do que respeitar ele babaram pelos jogadores do Barcelona. Mas que isso sirva de lição para os santistas, que, assim como o Real, tiveram uma bela de uma aula de futebol, como declarou o próprio craque  santista, Neymar. Contudo não podemos crucificar o Peixe, porque mesmo se tivesse dado o seu melhor, ainda assim não seria suficiente para bater os culés, que por sinal adoraram a culinária japonesa: Peixe cru!

O zagueiro e capitão Carles Puyol, um símbolo do Barcelona FC, erguendo a taça de campeão do mundo interclubes.

Será que o Barcelona é imbatível então? Hoje, sim! Acredito que o único modo de parar o Barcelona é jogando da mesma forma que eles, valorizando a posse de bola ofensiva, jogando coletivo, trocando passes até achar espaço na defesa adversária, se movimentando, fazendo troca de posições, e implantando tudo isso desde as categorias de base, geração após geração… Ou seja, algum clube no mundo tem que nascer de novo! Ou talvez não seja necessário tanto, basta começar hoje o trabalho nas categorias de base, para no futuro dar retorno. Esse time do Barcelona vem sendo montado nesse estilo há mais de 20 anos, claro que se aprimorando aos poucos, e hoje em dia ele atingiu o resultado provavelmente máximo desse trabalho, dessa filosofia, que começou a ser moldada quando a lenda, Johan Cruijff, chegou ao clube catalão.

Em 1988, Cruijff voltara ao Barcelona como treinador, onde tinha atuado como jogador, montando o chamado Dream Team (em inglês, Time dos Sonhos). Johan ficou lá até 1996 (permaneceu por 8 anos), tendo conquistado 11 troféus nesse período. Ele implantou sua filosofia, a qual já tinha adotado quando treinara o Ajax: A valorização das categorias de base. Hoje os times dessas categorias do Barcelona chegam a ter 12 divisões, e leva até 15 anos para formar um atleta profissional. O técnico Pep Guardiola sintetizou a filosofia de jogo do time implantada pelo ex-técnico holandês: “os jogadores têm de pensar rápido e jogar com inteligência, sempre sabendo qual será o próximo passe. É assim que aprendemos a jogar e que o público espera que joguemos: de forma atraente, mas sem perder a eficiência. Cruijff nos ensinou a jogar movimentando a bola rapidamente. Ele só usava jogadores de grande técnica. Quando procuramos por jogadores, ainda queremos essas qualidades”. E quem melhor que ele para falar isso? Com 13 anos começou nas bases do Barça, jogou no clube de 1983 até 2001, começando nas categorias de base, fazendo parte do Dream Team, retornando há 3 anos e meio e hoje sendo treinador do melhor Barcelona da história. Após o jogo contra o Santos, na final do mundial, Guardiola frisou a filosofia de La Masia e disse: “Esse jogadores custaram zero euro”; o Barcelona jogou com 9 jogadores formados no clube, apenas os laterais Daniel Alves (brasileiro) e Éric Abidal (francês) não foram formados nas categorias de base catalãs.

Hoje o Barcelona é um dos maiores times da história do futebol, com a maior fábrica de jovens talentos do futebol (La Masia), com o melhor jogador do mundo, sendo base da seleção espanhola campeã mundial, com um futebol que nenhum outro clube no mundo consegue jogar, com um estilo de jogo que une arte e eficiência e com um lema perfeito.

É um time espetacular? Não, é um time especial! Não, é “més que un club”!

Pep Guardiola: Há 3 anos e meio como treinador do Barcelona, venceu 13 dos 16 possíveis títulos; merece todo respeito.

~ por Raphael Mariano de Souza 7 em 18/12/2011.

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