Neymar, um gênio

Texto de Marcos Caetano:

Quanto mais eu vejo Neymar jogar bola, mais raiva eu tenho do Dunga, que não levou a joia da Vila para disputar a última Copa do Mundo. Pronto, falei! A coluna poderia acabar aqui. Porque, no fundo, é isso que eu precisava desabafar, transformar em bytes na internet, em papel e tinta no jornal. Que desperdício termos levado Kleberson e Grafite quando poderíamos ter levado Ganso e Neymar. Eu sei que o leitor já deve estar cansado dessa conversa, não por discordar dela, mas justamente por concordar muito. No entanto, o que posso fazer? Eu simplesmente não consigo evitar a amargura da copa perdida a cada golaço marcado pelo garoto. E ele faz um atrás do outro. Desconcerta os adversários, acaba com as partidas e confirma, a cada lance, o grande craque que – perdoem-me os mais cautelosos – já é.

Em 2009, quando o Santos estava longe de ser uma equipe de futebol encantador, eu escrevi neste mesmo espaço a respeito de Neymar: “Se ele será capaz de dar títulos ao seu clube, ninguém sabe ainda. Se o seu futebol brilhará a ponto de poder ser comparado aos dos grandes craques da história santista, ainda é cedo para avaliar. Mas, como um vinho do qual conhecemos a procedência, o fato de ter surgido no Santos me anima a prever dias felizes para o rapaz”. Na época, Neymar ainda ensaiava os primeiros dribles no time de cima, então comandado por Vágner Mancini. O técnico hesitava em escalar o garoto num clássico contra o São Paulo. Acabou escalando, mas ele nem chegou a brilhar. De qualquer maneira, a jovem promessa foi se firmando no time e brilhando mais e mais até conquistar o que faltava para o seu incipiente currículo: títulos.

Campeão e melhor jogador do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil de 2010, Neymar já não precisava convencer mais ninguém sobre o que era capaz, exceto Dunga, que preferiu apostar em balões apagados, embora fieis ao escotismo boboca pregado por ele e seu assistente, do que apostar no brilho de uma nova estrela. Dunga pagou o pato. Na verdade, pagamos todos. O mundo foi privado da chance de assistir, no palco mais importante, a gênese de um novo craque. O garoto Neymar tinha os mesmos 17 anos que Pelé quando o Rei conquistou o planeta, em 1958. Pelé foi lançado no terceiro jogo da Copa do Mundo de 1958, contra os russos, considerados prodígios atléticos e técnicos. Ele e Garrincha acabaram com o jogo e, dali para frente, jogando juntos, jamais perderam uma partida com a Seleção Brasileira. Na África, Neymar poderia ter, senão repetido Pelé – porque eu não acredito que um humano seja capaz disso -, ao menos realizado uma façanha inesquecível.

Hoje, na condição de referência da Seleção Brasileira sub-20, base do time que, se formos bem sucedidos Campeonato Sul-Americano do Peru, nos representará nos Jogos Olímpicos de Londres, Neymar tem tudo para entrar pela porta da frente na história do futebol mundial. Se conquistar a tão sonhada e eternamente negligenciada medalha de ouro para o futebol brasileiro em 2012, em 2014, já como um jogador completamente formado, ele será a principal estrela do time que tentará redimir o Maracanazo de 1950. Um novo sucesso e Neymar terá atingido, ainda muito jovem, a condição de gênio dos gramados.

O ser humano tem a estranha mania de achar que tudo o que é passado é necessariamente melhor. Vemos um Barcelona majestoso como o atual jogando e falamos que bom mesmo era o Real Madrid de Puskas. Acompanhamos a trajetória gloriosa de Federer e Nadal e suspiramos de saudade por Borg e McEnroe. Testemunhamos as façanhas de Neymar com o canto da boca retorcido, como se disséssemos: quero ver se esse é craque mesmo. Pois eu digo que sim. É craque. Será gênio. Estamos diante de um jogador que poderá ser um dos maiores da história – e rezo pela graça de ver e poder para contar os meus netos os feitos do menino da Vila. Pronto, falei!

~ por Raphael Mariano de Souza 7 em 22/01/2011.

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